Candid Camera

 

Estamos a entrar noutra dimensão. Estes dois últimos dias de aulas foram cheios. Cansativos é certo, mas já com outros focus e onde penso que cada um de nós vai assumindo diferentes formas de crescimento. Dito de outra forma, estamos finalmente a atingir estágios mais formativos e estruturantes. São-nos apresentados conceitos ou códigos linguísticos, mas ainda mais importante, tentamos arrumar de forma mais sistemática o que já conhecemos de forma empírica, experimentada ou pelo bom senso. Ou seja, não são perfeitas novidades, mas gera-se valor por perceber a sua lógica e coerência internas – “arrumar a tola”. Se o leitor está perdido, tentarei ajudar com um exemplo. No final da mega-aula de Marketing – foram dez horas! – um colega dizia, muito a propósito: “pois é, falamos aqui de coisas que são mais ou menos claras, percebi tudo o que se disse, mas o diabo é se me faz uma pergunta!”. Pois é! É mesmo assim: muitas vezes mais importante do que ser apresentado a novas técnicas ou conceitos é arrumar todo o conhecimento avulso que temos e sistematizá-lo, transformá-lo em ferramentas. De certa forma é o caminho que estivemos a trilhar nos dois últimos dias.

A sexta-feira foi um dia comprido. Como já disse foram dez horas de Marketing, o que é uma “pastilha” das grandes e difíceis de engolir. Louve-se a boa vontade e talento do professor que tentou sempre trazer a turma à tona sempre que sentia um certo desânimo. E já agora louve-se também a turma que tem tentado manter-se focada, atenta e participativa. Não é fácil de parte a parte, embora diga-se que é mais confortável para quem “já vira os frangos há muitos anos”. Mas que ninguém pense que não houve reconhecimento da atitude do professor até porque, e como é óbvio, a sexta-feira quando nasce é para todos e ele teve uma semana, provavelmente dura.

No que às aulas de Marketing diz respeito confesso que estou um bocado perdido. Dito de outra forma, partilho do que o meu colega disse sobre perceber tudo, mas o diabo é se perguntam alguma coisa! Sou optimista e parece-me que não é nada que uma boa dose de estudo e compenetração não resolva e já agora o trabalho de grupo vai com certeza ajudar.

A aula de hoje, sábado, foi mais curta – “só cinco horas” – mas também foi intensa quanto baste. O tema era desde logo susceptível a abalar as mentes mais inquietas – o comportamento nas organizações, com especial ênfase no “grupo” e suas fases de evolução. A manhã correu-me bem. O nosso grupo venceu o jogo/exercício proposto e, sobretudo ganhou-o bem porque fizemos o que deveríamos ter sido feito, numa dinâmica muito positiva. Ou seja, não destaco o resultado, destaco o processo. Fui também cobaia numa experiência bastante gira de construção de grupo, com câmaras de video à mistura, em que fiquei muito satisfeito por termos cumprido os objectivos de forma rápida e mais ainda por termos conseguido provocar umas boas gargalhadas no resto da turma.

Caro leitor, a quem agradeço por já ter chegado aqui: sei que o post vai longo, mas impõe-se um ponto de ordem a algo que sucedeu no âmbito dessa brincadeira, que provavelmente não vou esquecer durante muito tempo e que reforça a minha certeza de que este blog é um projecto válido. O nosso comportamento durante o teste foi gravado e, posteriormente, pudemos ver o “filme” que fizemos. E meus amigos, estou chocado com a minha postura – eu tenho que fazer muito melhor. Falo no contexto mais estético. Entre outros como me sento, como me movo… – aspectos que não aprofundo aqui para não me sentir anda mais constrangido… pode ser que nem tenham notado!

E o que tem isto a ver com o blog? É que normalmente não “gravamos” o que fazemos. Não nos ouvimos a falar, não nos vemos num ecran, não lemos os nossos emails, não registamos no dia a dia as nossas acções e ideias, não nos colocamos na pele do outro. Daí resulta um processo de construção de uma imagem que pensamos que projectamos e que não corresponde à verdade. Se mais vezes nos sujeitássemos a avaliação como avaliamos o “outro”, talvez nos apercebêssemos que não são raras as vezes em poderíamos simplesmente não gostar daquele sujeito que, afinal, somos nós! Dito de outra forma, por vezes faz falta usar algumas ferramentas que nos permitam um auto-julgamento com a mesma imparcialidade (ou crueldade!) que aplicamos aos outros.

E é também por isso que este blog (me) faz sentido. Numa lógica de registo, de memória futura, é mais uma ferramenta de auto-análise. No limite conhecer-me-ei melhor, serei mais exigente face a mim próprio, mais humilde e sobretudo muito mais tolerante e compreensivo face a todos os outros.

É que, perante a amostra de hoje, eu não sei se ia gostar daquele tipo que sou eu…

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2 Comments on “Candid Camera”

  1. Dany Says:

    Eu gosto!
    Mas tb não tenho muitas escolhas…
    É isso ou sou deportada aos bocadinhos…
    Rsss…
    Beijos

  2. Pedro Says:

    Podes sempre utilizar as ferramentas dos Amigos para te julgarem.
    E eu como teu Amigo, acho que estás num excelente caminho.
    Abraço


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